Histórias do Hip-Hop: Eddie, a nova faísca que ilumina o rap nacional
- Matheus Carvalho
- 7 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025

Em uma cena que vive um dos momentos mais criativos da sua história, surge Eddie, artista que vem chamando atenção pela autenticidade e pela força poética de suas letras. Edmundo Monteiro Neves, nascido na Zona Norte de São Paulo, foi criado entre sons urbanos e raízes populares pela sua familia, ouvindo MPB e hip-hop.
Froid, Djonga, Renato Russo e Charlie Brown Jr são algumas das referências do cantor e compositor, que representa a nova fase do rap nacional: aquela que une poesia, reflexão e profundidade em uma mesma batida.
Eddie começou sua caminhada artística explorando sonoridades que vão do boom bap ao trap experimental, sem abrir mão da essência do hip hop brasileiro. Seu primeiro single "Hoje", lançado em 2023, é reflexivo e cheio de referências culturais. A música é marcada por uma escrita sincera, que fala de fé, identidade, superação e das contradições da vida moderna.
Em 2024, Eddie lançou 3 singles com participação de Fazendero, produtor versátil que diversifica as batidas e harmoniza as letras do cantor. “Tormento” explora tensões e conflitos internos, reforçando o estilo poético e consciente de Eddie no rap brasileiro. “All-Star” reforça a ideia de autenticidade e liberdade pessoal, indo contra os padrões e tendências superficiais. Enquanto “Calmaria Acelerada”, com feats de Miguel Camilo e Nara Barbezane, mantém uma sonoridade calma e introspectiva, criando um contraste poético com o título.
O EP “Inicia-se a Faísca”, produzido em parceria com Fazendero, simboliza o nascimento de uma nova etapa em sua carreira. Lançado em 2025, com letras afiadas e uma estética cuidadosamente construída, o projeto apresenta um Eddie maduro e consciente de seu papel como voz da juventude criativa. Cada faixa faz pensar sobre propósito, desafios pessoais e força para enfrentar os obstáculos.

Musicalmente, "Inicia-se a Faísca" combina batidas marcantes, melodias sutis e uma sonoridade que equilibra emoção e intensidade. O trabalho reflete uma geração que transforma suas vivências e dilemas em arte, e que a vê como forma de cura e pertencimento. O título não é à toa: a “faísca” representa o primeiro fogo de algo maior. Em suma, o começo de uma trajetória que promete marcar o rap nacional contemporâneo.
Mais do que um EP de estreia, Inicia-se a Faísca é um manifesto. Eddie assume a caneta para provar que a independência pode ser um caminho de potência. O artista vem se destacando também pela postura colaborativa: participa de produções com outros nomes emergentes, incentiva o trabalho coletivo e valoriza a cultura como ferramenta de transformação.
Ao falar sobre o EP, Eddie também explica algumas de suas referências na música e no começo de sua trajetória no movimento.
"Eu tive quase um hiper foco em rap. Até consumia outros estilos antes, mas depois que entrei de cabeça no mundo do rap, foi quase que espiritual. Então, eu escuto muita coisa. Na época do lançamento de Inicia-se a Faísca, por exemplo, eu escutava muito a música do Shawlin, "Ruas Vazias". O tipo de música que te passa não só a sonoridade, mas as sensações diferentes. É o que eu tento passar", começa o rapper.
Mas o grande ídolo mesmo é Mano Brown, uma das grandes lendas do hip-hop com o Racionais MC's.
"Mano Brown é a referência máxima não só minha né? Acho que de todo mundo que começa a fazer rap. Os álbuns do Racionais são como a Bíblia pra mim. E o Mano Brown é o pastor que guia todas as velhas que vieram depois. Hoje em dia, gosto muito do Froid também, é minha maior referência lírica. Enfim, o contato com outras formas de arte é sempre vital na construção da sua", conclui Eddie.
Enquanto começa a viver o sonho na música e no movimento, o rapper que ainda trabalha por fora além da carreira musical, cita o privilégio de trabalhar com o hip-hop e o começo da trajetória no rap como um todo.
"É muito mágico trabalhar com o que você sempre sonhou né? Eu tenho a ciência de que tenho uma carreira recente e que não vi muita coisa ainda. Mas ainda assim é mágico. Óbvio que existem os dias ruins também, mas não tenho do que reclamar. Sendo honesto, é até difícil definir isso em palavras. É tudo muito místico.
Com carisma, técnica e visão de futuro, Eddie é uma das apostas mais promissoras da nova geração do hip hop brasileiro. Sua música é o retrato de um tempo em que o rap volta a se reconectar com o essencial: emoção, verdade e poesia. Ao ‘iniciar a faísca’, Eddie dá início a um ciclo, como ele mesmo diz, "místico", que tem tudo pra pegar fogo.
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"Esse garoto deve ser olhado, estudado e compartilhado com muita atenção, respeito e ouvidos, mentes e corações sempre muito bem abertos" Eddie' é um artista NATO, autodidata, talentoso e muito inteligente, com toda certeza o Brasil ganhou mais uma mente pensante"sobrenatural ".